Documentos do cavalo em Portugal: DIE azul e verde
Última verificação: 6 de agosto de 2026
Em Portugal o passaporte do cavalo tem duas cores, e a cor decide a quem se pede. Depois há dois prazos que trabalham em conjunto: doze meses de idade e trinta dias de ausência da exploração de nascimento.
Este texto resume regulamentação publicada e não constitui aconselhamento jurídico. Esta página trata de Portugal. No Brasil o sistema é outro — não existe sequer um passaporte estatal: veja a versão brasileira.
Azul ou verde: o cavalo tem dois documentos possíveis
É a particularidade portuguesa e determina a quem se pede o documento. O DIE — Documento de Identificação de Equídeos — existe em duas cores. O DIE azul é para equídeos inscritos num livro genealógico oficialmente reconhecido em Portugal pela DGAV; são treze as raças com livro reconhecido, entre elas o Lusitano e o Sorraia. O DIE verde é para os equídeos de produção e rendimento, isto é, todos os que não estão inscritos num livro genealógico. A cor não é decorativa: muda a entidade emissora.
Quem emite
Os serviços desconcentrados da DGAV — as Direções de Serviços de Alimentação e Veterinária Regionais — emitem o DIE. No caso do cavalo Lusitano, o DIE azul é emitido pela APSL, a associação do stud book da raça. Na prática: quem tem um cavalo de raça pergunta primeiro à associação; quem tem um cavalo sem livro genealógico vai à DSAVR da sua região.
Os prazos
| Obrigação | Prazo |
|---|---|
| DIE emitido | até aos 12 meses de idade |
| Antes de sair da exploração de nascimento | sempre, se a ausência for superior a 30 dias |
| Emissão normal | 30 dias |
| Emissão urgente | 48 horas, se o processo estiver completo e conforme |
Os dois prazos funcionam em conjunto. Doze meses é o limite de idade; os trinta dias são um limite de movimento. Um poldro de oito meses que vai passar o verão noutra exploração precisa do DIE antes de partir, mesmo estando dentro do prazo dos doze meses.
Duplicados: a linha das tabelas que vale a pena ler
A tabela de emolumentos da DGAV prevê um Duplicado/Substituto de DIE verde ou azul, e a redação diz mais do que parece: cobre os passaportes perdidos e os emitidos fora do período legal de identificação. Ou seja, identificar tarde não produz um DIE normal atrasado — produz um documento de substituição. Como em toda a União Europeia, é o estatuto do animal face à cadeia alimentar que fica marcado por essa via, e o veterinário verifica-o antes de tratar. Vale a pena chegar aos doze meses com o processo feito.
O microchip
O transpondedor é o que liga o documento ao animal: sem leitura coincidente, o DIE descreve um cavalo que ninguém consegue provar ser aquele. A DGAV publica a lista dos microchips com autorização de introdução no mercado, o que é útil quando se compra um animal identificado no estrangeiro.
Na compra
Ler o chip e confrontar com o DIE, verificar a resenha, confirmar se o documento é azul ou verde e se é original ou duplicado, e perguntar pelo estatuto face ao consumo humano — condiciona a medicação para o resto da vida do animal. Depois, comunicar a mudança de detenção à entidade emissora.
Onde entra o EquiDiary
A documentação de cada cavalo guarda o que é do animal e não de um registo isolado: páginas do DIE, inscrição no livro genealógico, seguro, fatura de compra. Quem partilha o cavalo consegue abri-las — é essa a ideia: o veterinário de urgência não devia ter de telefonar para saber o estatuto do animal. Só o proprietário as acrescenta ou retira.
Fontes
- DGAV — Passaporte/Documento de Identificação de Equídeos (DIE), com os prazos, as cores e a tabela de emolumentos
- DGAV — Identificação, registo e movimentação animal
- DGAV — Manual de identificação de equídeos
- Regulamento (UE) 2021/963, aplicável desde 7 de julho de 2021, sobre identificação e rastreabilidade de equídeos
Também disponível em English (US, UK) · Español (España, México) · Português (Brasil) · Nederlands (Nederland, België) · Français (France, Belgique, Suisse) · Deutsch (Deutschland, Österreich, Schweiz) · Italiano (Italia, Svizzera)
Ver também: vacinação do cavalo em Portugal — os prazos da FEP/FEI e o Nilo Ocidental.