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Desparasitação do cavalo em Portugal: contar antes de tratar

Última verificação: 5 de agosto de 2026

Desparasitar de três em três meses por hábito é hoje a receita para ficar sem produtos eficazes. A orientação europeia é outra: contar os ovos, tratar quem passa o limiar e verificar se a molécula ainda funciona.

Este texto resume orientações publicadas e não substitui a opinião do seu médico veterinário. Esta página trata de Portugal e segue a orientação europeia. Se o cavalo está no Brasil, leia a versão brasileira: o quadro de resistências é outro.

O calendário fixo acabou

Durante décadas desparasitou-se toda a gente de dois em dois ou de três em três meses, rodando as moléculas. A orientação europeia atual — a directriz para os parasitas gastrintestinais dos equinos da ESCCAP — inverteu isso: os programas de intervalo fixo são apontados como a principal causa do desenvolvimento de resistências, e a resistência dos ciatostomíneos já abrange duas das três classes de anti-helmínticos disponíveis. Não há moléculas novas a caminho. As que existem são para gerir, não para gastar.

O que substitui o calendário: contar antes de tratar

A base passou a ser a contagem de ovos nas fezes. O argumento é simples e mede-se: mais de metade dos cavalos adultos não excreta ovos de estrongilídeos em quantidade que justifique tratamento. Tratá-los é gastar eficácia sem ganhar nada.

PassoO que fazer
Contagem de ovospor cavalo, na época de pastoreio
Limiar de decisãohabitualmente 200 ovos por grama — acima disso, trata-se
Abaixo do limiarnão se trata; repete-se a contagem
Téniaa contagem de ovos não serve — decide-se por serologia ou por tratamento programado
Larvas enquistadasnão aparecem na contagem; tratam-se num momento definido com o veterinário

O limiar não é uma lei da natureza. Os 200 ovos por grama são o valor de trabalho mais usado, não um número sagrado: a decisão depende do grupo, da idade dos animais, da carga da pastagem e do histórico. Quem define o limiar do seu efetivo é o veterinário que o acompanha.

Onde a contagem não decide nada

Há três situações em que contar ovos dá uma falsa segurança, e vale a pena sabê-las de cor:

Saber se o produto ainda funciona

Uma contagem antes e outra 14 dias depois do tratamento diz se a molécula ainda faz efeito no seu efetivo. É barato, é a única forma de saber, e é o teste que quase ninguém faz. Uma redução insuficiente não significa que se deva repetir a dose — significa que aquela classe deixou de servir naquele local e que a conversa passa a ser sobre gestão da pastagem.

A pastagem faz metade do trabalho

Retirar o estrume das pastagens com regularidade tira mais larvas do sistema do que qualquer seringa. A isso somam-se a densidade de animais por hectare, a rotação e a atenção redobrada aos cavalos novos que chegam — que devem ser contados e, se necessário, tratados antes de entrarem no grupo.

Como o EquiDiary ajuda

A contagem de ovos é um tipo de evento como outro qualquer: regista-se a data, o valor e quem a fez. Um plano na categoria Vermifugação avisa quando é altura de voltar a contar, e o histórico por cavalo mostra de imediato quem excreta sempre pouco e quem precisa de atenção.

Fontes

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Ver também: vacinação do cavalo em Portugal — os prazos da FEP/FEI e o Nilo Ocidental.