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Vermifugação do cavalo no Brasil: medir antes de confiar no produto

Última verificação: 5 de agosto de 2026

Estudos brasileiros já registaram reduções da contagem de ovos de 6% após ivermectina. Antes de escolher intervalo, a pergunta é outra: o produto que você usa ainda funciona no seu plantel?

Este texto resume estudos e orientações publicados e não substitui a opinião do seu médico veterinário. Esta página trata do Brasil. Se o cavalo está em Portugal, leia a versão portuguesa.

A ivermectina já não é o que era — e há dados brasileiros para provar

Este é o ponto de partida, porque muda tudo o que vem depois. Trabalhos publicados em revistas brasileiras revisadas por pares vêm mostrando falha de eficácia da ivermectina em ciatostomíneos no país. Num levantamento em propriedades do estado de São Paulo, cinco delas apresentaram redução da contagem de ovos abaixo de 90% depois do tratamento — 70%, 87%, 6%, 46% e 89%. Um valor de 6% não é variação de método: é um produto que deixou de funcionar naquele lugar.

Um estudo mais recente na Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária foi além e testou o que muita gente faz por instinto — aumentar a dose. Com ciatostomíneos resistentes à dose padrão de 200 µg/kg, a redução da contagem de ovos cinco semanas após o tratamento ficou abaixo de 83% mesmo com 300 a 400 µg/kg. O título do artigo fala por si: um quadro sombrio para o controle sustentável de parasitas. Em estabelecimentos militares do Rio Grande do Sul, foi documentada resistência múltipla — fenbendazol e moxidectina em animais jovens, fenbendazol e pamoato de pirantel em adultos.

A conclusão prática não é «troque de produto». É que ninguém no Brasil pode presumir qual molécula funciona na sua propriedade sem medir. A rotação cega entre classes, feita há décadas, foi justamente o que produziu este quadro.

O teste que responde à pergunta: o TRCOF

O teste de redução da contagem de ovos fecais é simples: conta-se o OPG de cada cavalo antes do tratamento e repete-se 14 dias depois. A queda percentual diz se aquela molécula ainda serve no seu plantel. Uma redução abaixo de 90% aponta resistência — foi exactamente esse o critério usado nos estudos acima.

PassoO que fazer
OPG antesamostra individual, animal a animal
Tratamentodose correta para o peso real — subdosagem seleciona resistência
OPG depois14 dias após o tratamento
Leituraredução abaixo de 90% indica resistência àquela classe

Tratamento seletivo em vez de calendário

A orientação internacional — a mesma da AAEP nos Estados Unidos e da ESCCAP na Europa — é tratar com base no OPG e não no calendário, porque mais da metade dos cavalos adultos excreta poucos ovos e não se beneficia do tratamento. O limiar de trabalho mais usado é de 200 ovos por grama. No Brasil isso importa duas vezes: reduz a pressão de seleção num país onde a resistência já está instalada, e evita gastar num produto que talvez nem esteja funcionando.

Onde o OPG não decide

Clima, pasto e lotação

Em boa parte do Brasil não existe um inverno que quebre o ciclo das larvas na pastagem, o que torna o manejo mais decisivo do que em climas temperados. Retirar as fezes do piquete, controlar a lotação, fazer rotação e contar os animais que chegam antes de misturá-los ao lote tiram mais larvas de circulação do que qualquer seringa — e não selecionam resistência.

Como o EquiDiary ajuda

O OPG entra como evento, com data, valor e quem colheu — e o par antes/depois do teste de redução fica lado a lado no histórico do animal, que é onde a resposta aparece. Um plano na categoria Vermifugação avisa quando é hora de contar de novo, sem inventar tratamento nenhum.

Fontes

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Ver também: vacinação do cavalo no Brasil — os 360 dias da GTA e os seis meses da FEI.