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Vacinação do cavalo em Portugal: os prazos que decidem se o cavalo entra

Última verificação: 5 de agosto de 2026

Em Portugal não existe um calendário vacinal imposto por lei ao cavalo que nunca sai de casa. O prazo que decide alguma coisa é o do regulamento de competição — e desde 2026 já não basta ter a vacina no passaporte.

Este texto resume regulamentos publicados e não substitui a opinião do seu médico veterinário. Esta página trata de Portugal. Se o cavalo está no Brasil, leia a versão brasileira: lá o prazo que conta é outro.

Em Portugal não há uma vacinação obrigatória por lei

Convém começar por aqui, porque é a fonte de metade da confusão. Um cavalo que nunca sai da coudelaria não está sujeito a nenhum calendário vacinal imposto pelo Estado português. O que existe são regras de acesso: quem quer competir, viajar ou entrar num recinto tem de cumprir o prazo de quem organiza. A gripe equina consta da lista de doenças de declaração obrigatória da DGAV — ou seja, a suspeita tem de ser comunicada —, mas isso é vigilância, não é um calendário.

A série inicial e os reforços

O calendário que praticamente todos os cavalos em Portugal seguem é o do regulamento veterinário da FEI, adotado pela Federação Equestre Portuguesa. Distingue duas coisas que é fácil baralhar: manter a proteção, e estar em condições de entrar em prova.

FasePrazo
Série inicial2 doses com 21 a 92 dias de intervalo
Terceira dose (primeiro reforço)até 7 meses depois da segunda
Reforços seguintespelo menos anuais
Para competirúltima dose há menos de 6 meses + 21 dias à chegada ao evento
Antes de chegarnenhuma vacinação nos 7 dias anteriores

É por isto que quem compete vacina duas vezes por ano. O reforço anual mantém a cobertura no papel; o prazo dos seis meses e 21 dias é o que decide se o cavalo entra. Um cavalo corretamente vacinado uma vez por ano pode estar em ordem e ainda assim ser recusado no dia da prova.

A prática clínica portuguesa nos poldros

O protocolo que os hospitais equinos portugueses publicam para os poldros começa aos 6 meses: duas doses com um mês de intervalo e uma terceira seis meses depois. A partir de um ano de idade, e nos adultos, a revacinação de 6 em 6 meses é apresentada como o que assegura a proteção contra a gripe — e é também o que os regulamentos de competição exigem. Nas éguas gestantes, a vacinação faz-se 4 a 6 semanas antes do parto, para que o poldro receba anticorpos pelo colostro.

O que muda em 2026: o registo deixa de ser só em papel

A partir de janeiro de 2026, os dados de vacinação contra a gripe equina dos cavalos FEI presentes em eventos FEI têm de ser registados na aplicação FEI HorseApp, além de constarem do passaporte. O registo é feito pelo médico veterinário, no dia da vacinação e na presença do cavalo. Houve um período pedagógico até 30 de junho de 2026, com avisos e sem coimas; a partir de 1 de julho de 2026 aplicam-se as sanções previstas no artigo 1002 do regulamento veterinário da FEI.

O que tem de constar no Documento de Identificação Equídeo

A vacinação só existe se estiver escrita. O responsável pelo cavalo apresenta o documento de identificação, preenchido por médico veterinário, com a vacina utilizada, o número de lote, a data e a via de administração. É a parte que mais se perde: uma vacina feita e mal registada, à porta do recinto, não conta.

Tétano

O tétano não tem prazo de competição associado, mas quase todas as vacinas usadas em Portugal são combinadas gripe + tétano, pelo que na prática o calendário acaba por ser o mesmo. O intervalo de reforço depende do produto — é uma pergunta para o veterinário e para o folheto informativo, não para um regulamento desportivo.

Febre do Nilo Ocidental: o caso português

Este é o ponto em que Portugal se distingue dos países a norte. A febre do Nilo Ocidental está detetada em equídeos em Portugal desde 2015 e a atividade tem aumentado: em 2024 a DGAV contabilizou casos no Alentejo e na região de Lisboa e Vale do Tejo. A vacinação não é obrigatória. A DGAV autoriza a vacinação voluntária em todo o território continental, caso a caso, mediante pedido do médico veterinário assistente, e recomenda-a na zona de risco. Qualquer suspeita da doença tem de ser comunicada à DGAV.

Traduzindo: não é uma vacina que se marque no calendário por rotina. É uma conversa com o veterinário sobre onde o cavalo está e em que altura do ano — e, se a decisão for vacinar, há um pedido formal a fazer antes.

Onde os números divergem

Se procurar «de quanto em quanto tempo se vacina um cavalo em Portugal» vai encontrar 6 meses e 12 meses com a mesma segurança. Ambos estão certos, em contextos diferentes: 12 meses é o reforço de manutenção, 6 meses e 21 dias é a condição de entrada em prova. Nenhum dos dois é uma imposição legal portuguesa fora do desporto. O que decide o seu caso é onde o cavalo vai entrar.

Como o EquiDiary ajuda

Um plano de cuidados na categoria Vacinação avisa por e-mail antes de o prazo passar, e a página de vacinação junta num só sítio as datas, o produto e o veterinário — pronta a imprimir para a secretaria do concurso. Registar a vacina no diário reinicia o relógio; nada é inserido automaticamente.

Fontes

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A seguir: desparasitação do cavalo em Portugal — contagem de ovos, limiar e resistências.